Livros infantis

Bom investimento

Já faz três anos que a editora Cortez resolveu investir em um diversificado selo infantil. Os bons resultados podem ser vistos em qualquer livraria, como acontece com o poético Um Pequeno Caso de Amor, protagonizado por simpáticos sagüis e outros animais da fauna brasileira; e Do Céu ao Céu Voltarás, uma história de fé e devoção escrita e ilustrada por Márcia Széliga. Vale destacar, ainda, o Na Minha Escola Todo Mundo é Igual, que apresenta situações cotidianas da Escola Viva, uma entidade real que existe em Cotia (SP). Poucas vezes o tema inclusão foi tão bem caracterizado quanto nessa pequena obra.

Um Pequeno Caso de Amor
Zuleika de Almeida Prado
24 Págs., R$ 16,30

Do Céu ao Céu Voltarás
Márcia Széliga
48 págs., R$ 25,90

Na Minha Escola Todo Mundo é Igual
Rossana Ramos
20 págs., R$ 13,80

Para chorar

Em matéria de livros infantis, sou como a Tatiana Belinky, a prolífica escritora de obras para crianças: alguns livros foram feitos para chorar. Ela me disse, anos atrás, que quando era pequena era uma menina que nunca chorava em público. Para tirar o atraso lacrimal, ela tinha um espacinho reservado na estante para os "livros de chorar". Aí, quando o nó na garganta aparecia, ela corria para o quarto, abria a obra na página mais triste e chorava baixinho.

Tistu - o Menino do Dedo Verde, foi meu livro chorável. Já o tinha lido várias vezes e sabia decor onde ficavam os trechos mais tristes. Foi muito bom contar com Tistu nos momentos de fossa infantil. Claro, meu cantinho do choro reservava outras pérolas, entre elas o clássico O Pequeno Príncipe (completamente chorável), Mamãe não Pode Saber (fungante) e, mais tarde, A Droga da Obediência (choro adolescente).

Hoje, que sou uma mulher adulta e vacinada, tenho de acompanhar o que o mercado editorial vem lançando em termos de lágrimas. Aqui ficam duas sugestões para as crianças modernas: A Árvore Generosa, de Shel Silverstein, e Vó Nana, de Margaret Wild, este último na categoria choro soluçante. São obras tocantes, que tratam de maneira delicada temas áridos, sem ferir a sensibilidade do leitor mirim. Não segure o choro.

A Árvore Generosa

Shel Silverstein

Cosac Naify, 60 págs., R$ 36

Vó Nana

Margaret Wild

Brinque-Book, 28 págs., R$ 26

Está tudo acabado

Se você não conhece a obra de Neil Gaiman, esta é uma ótima oportunidade para se deleitar com o trabalho desse premiado inglês: acaba de ser lançado Os Lobos Dentro das Paredes. Ilustrado por Dave McKean – parceiro de Gaiman há anos, responsável pelas belas capas da série Sandman –, o livro é baseado em um pesadelo que a filha do autor teve aos quatro anos. Apavorada, ela ouvia barulhos dentro das paredes e dizia que haviam lobos morando na estrutura da casa. "Se os lobos saírem de dentro das paredes, está tudo acabado", descobre a personagem do livro. Como já é de praxe no trabalho de Gaiman e McKean, o lado sombrio presente no tema e nas ilustrações divide espaço com um texto inteligente, repleto de ironia. E, ufa!, com final edificante. Coisa que qualquer criança moderna é capaz de captar. Não é à toa que a Rocco aposta pela segunda vez em um título infantil da dupla: Coraline, uma versão ácida de Alice no País das Maravilhas, foi um sucesso de crítica e público. Uma sugestão: se tiver filhos muito pequenos, não leia antes de eles dormirem. É pesadelo na certa.

Os Lobos Dentro das Paredes

Neil Gaiman

Rocco, 56 págs., R$ 39,50

Metamorfoses

Filomena levanta para ir à escola e descobre que não passa pela porta porque enormes chifres de rena nasceram em sua cabeça da noite para o dia. Ela tem dificuldade para vestir o uniforme da escola e enrosca no lustre da sala ao descer para o desjejum. Está armado o circo: a mãe desmaia, o caçula vai consultar uma enciclopédia, as cozinheiras colocam cookies para secar na galharda de Filomena. Só o diretor da escola não vê a menor graça. Em Os Chifres de Filomena, David Small retrata de maneira bem-humorada como as crianças podem roubar a cena e transformar um simples dia num delírio colorido.

Os Chifres de Filomena

David Small

Companhia das Letrinhas, 32 págs., R$ 28,10

 Época de transformações 

Como é Que eu Era Quando Era Bebê? é um dos mais bem-sucedidos exemplos de que todos saem ganhando quando apostam na inteligência do pequeno leitor. Voltada para crianças em fase de alfabetização, a história de Jeanne Willis traz filhotes de várias espécies em busca da resposta fundamental sobre evolução. O tom bem-humorado ganha graça nas ilustrações de Tony Ross e na confusão do pobre sapinho, que tem de ser convencido de que, afinal, um dia, foi girino.

A tríade autora-ilustrador-anfíbio deu tão certo que eles repetiram a dose em A Promessa do Girino, este sobre um sapinho apaixonado por uma lagarta. Novamente, o tom divertido garante que a leitura não leve a molecada às lágrimas – e arranque risos dos mais marmanjos.

 

Como é Que eu Era Quando Era Bebê?

Jeanne Willis e Tony Ross

Brinque-Book, 28 págs., R$ 20

 

A Promessa do Girino

Jeanne Willis e Tony Ross

Ática, 28 págs., R$ 17,90

Nó na garganta

Falar sobre a morte é assunto dos mais áridos para se tratar – e a dificuldade aumenta quão mais jovem é o interlocutor. A incipiente capacidade de abstração das crianças torna a tarefa ainda mais complicada. Antes que adultos coloquem uma cegonha na explicação – o caminho usual para se responder às indagações infantis –, vale a pena procurar nas prateleiras de livrarias e bibliotecas.

Crianças bem pequenas podem compreender com alguma ajuda a sutileza de Pedro e Lua, de Odilon Moraes. Com perícia, o escritor traduziu o pesado tema para uma linguagem poética simples, clara e tocante. Não bastasse escrever com tamanha delicadeza, também são deles as belas ilustrações do livro.

Essa, aliás, é a área em que se consagrou o cartunista Ziraldo. Mas que não se espere de Menina Nina uma obra divertida como O Menino Maluquinho. “Os sentimentos que a envolvem, estes, eu conheço profundamente”, escreve o autor, a respeito da história de Vovó Vivi, homenagem a Vilma, sua companheira por quase 50 anos, falecida em 2000. Com a competência que lhe é comum, Ziraldo conta essa história tão particular sob a ótica de sua neta mais velha, a Nina que dá título ao livro. Seus coloridos desenhos ilustram “duas razões para não chorar”. Leitores sensíveis precisarão de mais uma.

Pedro e Lua

Odilon Moraes

Cosac Naify, 48 págs., R$ 30

Menina Nina

Ziraldo

Melhoramentos, 40 págs., R$ 24

Elas merecem

A Larousse vem se destacando na literatura infantil. Além de dicionários e livros de referência, a editora tem investido em títulos infantis e juvenis em séries como Larousse Júnior e Meu 1º Larousse. Da primeira, o destaque fica para Sementinhas de Fazer Bebês, que leva o endosso da consultora Rosely Sayão. Em linguagem simples, a obra mostra como “a sementinha do papai entra na mamãe” – conversa temida por cem em cem progenitores –, e “por onde saem os bebês”. Hilário. Já na coleção Meu 1º Larousse, os livros seguem a qualidade que a editora sempre destinou aos livros de referência adultos. Só que, como já dizia o escritor russo Máximo Gorki, “para se escrever para criança, tem de se escrever tão bem quanto para os adultos; só que melhor”.

Sementinhas de Fazer Bebês

Larousse, 32 págs., R$ 19,90

 

Meu 1º Larousse

Larousse, 160 págs. em média, de R$ 27,90 a R$ 31,90

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Ilhas Virgens (Britânicas), Mulher, de 26 a 35 anos
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